Música: recurso na Reabilitação Cognitiva

16/05/2009 por Ana Leite 0

A música muitas vezes faz parte do cotidiano desde a fase uterina, mães que começam a estabelecer o vinculo com seus bebês cantando ou os colocando para ouvir canções.  Ao nascer não é diferente, canções de ninar embalam o sono das crianças ou fazem parte de brincadeiras entre pais e filhos.

Durante todo o desenvolvimento o ser humano é exposto a músicas e algumas delas  remetem a experiências que, dependendo do caráter, trazem à tona emoções positivas ou desagradáveis.

Do ponto de vista neurofisiológico, sabe-se que a música é processada por diferentes regiões do cérebro e que a memória responsável pelo armazenamento dessa informação é formada bem antes de outras, como a da linguagem.

Considerando a relação da música com experiências vividas/emoções (relacionamentos, conquistas, perdas…) e das questões neurofisiológicas apontadas anteriormente, percebe-se a música como um potencial recurso de reabilitação cognitiva.

Na Doença de Alzheimer (D.A), bem como em outras condições, como o Parkinson e o AVC, a música tem sido utilizada em terapia por profissionais de reabilitação para atingir melhoria dos aspectos motores  e até dos  cognitivos.

Sabe-se que na D.A como as habilidades são perdidas na ordem contrária do que foram adquiridas, a memória musical pode ser estimulada até em fases mais avançadas da doença.  Junto a esses clientes a música tem sido usada em atividades como o tocar ritmado de instrumentos e cantar e se movimentar.  A música pode ainda ser usada nesses clientes com distúrbios de comportamento, como a perambulação, para acalmar o paciente e “dar sentido” ao movimento.

No entanto, não é qualquer música que deverá ser usada. O primeiro passo é pesquisar músicas significativas ou que eram populares nas diferentes fases do desenvolvimento (infância, adolescência, etc.). Depois desse levantamento diversas atividades podem ser propostas. Estas podem ser usadas por profissionais habilitados ou sob supervisão destes, garantindo que a música será usada como recurso terapêutico e trará benefícios para o paciente e sua família.

Fonte: New York Times. The Songs They Can’t Forget.

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Sobre o autor

Terapeuta ocupacional graduada pela UFPE. CREFITO 10476. Especialista em Tecnologia Assistiva pela UNICAP. Mestre em Design e Ergonomia pela UFPE. Administradora e colunista do reabilitacaocognitiva.org.
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