Aprender de uma forma fácil sobre memória (memória flash)
Na estigante e difícil jornada do aprendizado sobre as funções cognitivas descobri que a melhor forma de aprendê-las é vivenciá-las. Não basta saber o que é memória de trabalho, é importante perceber quando ela é usada e, sobretudo, qual o impacto dessa função na realização das tarefas diárias. Afinal, as funções cognitivas não seriam relevantes caso não determinassem o funcionamento dos indivíduos.
A primeira memória que resolvi abordar foi a memória flash. Isso mesmo, memória flash! Vou abrir com chave de ouro, falando do que é pouco falado, mas nem por isso menos interessante ou importante.
A memória flash (Flashbulb memory) é o tipo de memória na qua um momento no tempo em que um acontecimento fora do comum (e fora vida particular do indivíduo) se funde com história pessoal. Por exemplo, no dia 11 de setembro de 2001 lembro nitidamente estar saindo de um estágio em Olinda (PE) e saber pela televisão que um avião bateu em uma das torres do World Trade Center, em seguida, quando o segundo avião colidiu com a outra torre, eu estava acabando de entrar em casa e, nesse momento, ouvi na televisão “isso não é um replay, um segundo avião atingiu a torre sul do World Trade Center”. Perceba que detalhes históricos se fundiram a detalhes da minha história.
Segundo a literatura, a memória flash recebe essa denominação porque é como se houvesse um flash, iluminando a cena, com você dentro dela, fixando-a. Mas fica a pergunta: e essas recordações elas são tão confiáveis quanto a dos fatos que o “memorizador” vivenciou?
Ulric Neisser, professor das Universidades de Cornell e Emory, escreve extensamente sobre a memória flash e afirma que essa memória não é tão confiável. Em um dos seus estudos, o professor, no dia seguinte ao da explosão do ônibus espacial Challenger, pediu a 106 pessoas que preenchessem um questionário com detalhes de onde se encontravam e o que estavam fazendo quando souberam do desastre. Na primeira entrevista as respostas foram muito imprecisas, embora a confiança sobre a exatidão das informações fosse alta. Na segunda entrevista, três anos depois, quando foi pedido que as mesmas pessoas respondessem a mesma pergunta, houve divergência significativa entre o que pensavam que sabiam naquela época e o que sabiam agora.
Segundo o professor, isto acontece porque a memória (que reside em vestígios químicos no cérebro) preenche os espaços em branco, que são os vestígios que desapareceram. Deve-se lembrar que estes vestígios desaparecem porque não são reforçados pela experiência e ou pela observação, que levariam a uma memória mais segura, embora isto não signifique que esta seja uma memória mais precisa.
Dessas informações tiramos uma lição: a memória é menos confiável do que parece. E esta afirmação me lembra um amigo médico que procurando a chave do carro afirmou: “Tenho certeza que deixei em cima da mesa, quer dizer, minha memória acha que tem certeza, mas sei que ela pode ter criado isso. Vamos procurar em outro lugar!”. Momentos depois, curiosamente, pedi a explicação da afirmação dele e, neste momento, ouvi pela primeira vez que existem falsas memórias, recordações criadas por um cérebro que necessita de informações armazenadas, mesmo que estas sejam falsas!
Gostou? Bem, depois conversamos mais sobre memória, seus tipos e sua relação com o cotidiano porque acabei de lembrar que esqueci de terminar um trabalho para amanhã.
Quer ler mais sobre memória? Um livro imperdível e que foi usado como referência é o Não consigo lembrar do que esqueci. Sue Halpern. 2008. Realmente vale a pena!
Ana Katharina Leite
Popularity: 49% [?]


Envie textos de experiências que você passou com o tema do nosso site. Seu texto vai ser analisado por nossa equipe e pode ser publicado em uma seção especial do site.
Colabore! Sugira temas, abordagens e participe do nosso site!
Se você gosta do conteúdo que produzimos não deixe de assinar nosso
Nosso site utiliza HTML e CSS validados. Todo o conteúdo é de produção da equipe do ReabCognitiva.org.
Gostaria muito de aprender mais sobre memória, como adquiro o livro?
marineuropsi@hotmail.com
Gostaria de compartilhar aterial de memória…por favor, troquemos e-mails
Oi Adriana. Vc viu nossa sessão de artigos? coloquei os que tenho no pc lá. Vou dar uma olhada se tem algo novo. Se tiver, posto aqui e vc baixa. =)
Ana, vc teria como me mandar uns artigos legais sobre memoria, aspectos fisiologicos e nurologicos do envelhecimento????
muito obrigada!
adriana frazao
Oi Ana!
Que delicia ler sobre mémoria ,sempre tem alguma coisa para recordarmos e novidades.
Estou sempre criando novas situações para estímula-las através de jogos,leituras e brincadeiras.
Bjos;Luiza Brasil(TO).