Adaptando o ambiente de pessoas com Alzheimer: distribuição de estímulos e rotina
As pessoas com a Demência de Alzheimer (DA) precisam de um ambiente físico, emocional e social adaptado as suas necessidades, favorecendo o desempenho diário do cliente e as tarefas do cuidador.
Sendo assim, a partir de hoje teremos posts direcionados a questão da adaptação do ambiente da pessoa com DA. Espaço que deve ser sempre adaptado as capacidades do cliente em cada nível da doença e não o contrário.
Para começar, qualquer modificação no ambiente deve se levar em consideração que o mesmo deve ser estável, simples e rotineiro. Mas o que isto quer dizer?
Os estímulos devem estar organizados, bem distribuídos. Ambientes com muitos estímulos podem ser distratores e interferir no desempenho das tarefas, sendo assim a posição de um objeto pode ser escolhido levando este fato em consideração.
Uma outra questão relacionada a organização, são as mudanças bruscas, pois estas nunca são positivas para pessoas com DA. Mudanças extremas na ambientação/decoração dos espaços não são uma boa escolha se não ocorrem de uma forma gradativa. Mobílias, iluminação ou cores devem seguir este princípio.
O espaço sempre deve ser personalizado, ou seja, com objetos e mobílias significativas. Esta é uma recomendação crucial para o ambiente físico, mas desagrada a muitos familiares que gostam ou precisam modificar o ambiente construído e/ou as mobílias. Manter esses elementos conhecidos é possível, pode-se “dar uma cara nova” a eles, mantendo as informações principais que caracterizam aquele elemento e o torna peculiar para o cliente.
As modificações muitas vezes causam reações nas pessoas com DA, sendo assim todas as “novidades” devem ser exaustivamente explicadas de uma forma simples, mesmo que a explicação tenha que ser repetida diversas vezes. A repetição da informação, neste caso, faz parte do “preço” para a nova decoração.
Uma outra questão é que deve ser considerada é o local dos objetos, hábitos e rotinas são a base para a manutenção do comportamento. Alterações comportamentais muitas vezes são resultado da falta de compreensão do ambiente imediato, ou seja, daquele que o cerca. Para a pessoa com DA em fase moderada/avançada, não importa mais o que acontece “da porta de casa para fora”, o que é sempre alvo de observação e questionamento é o espaço que o rodeia naquele instante.
Quanto aos objetos, é interessante, além de mantê-los sempre no mesmo local, manter a marca, a cor e a forma. Ou seja, que o shampoo sempre seja o do recipiente de tal cor e que a esponja seja sempre da retangular. Implantar estas estratégias nas fases iniciais do doença pode ajudar no desempenho e nas tarefas do cuidador mais tarde.
Não somente o local dos objetos deve obdecer a regra da rotina, deve-se respeitar o cômodo que as atividades são sempre realizadas e o local exato da tarefa. Isto pode ser observado, por exemplo, em relação a alimentação que pode ser sempre realizada na mesa da sala em uma cadeira específica, com os utensílios que só o cliente usa.
Desta forma, a primeira dica que fica, independente das modificações que serão feitas, é: o ambiente sempre deverá ser simples, organizado e rotineiro.
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Quer ler mais sobre isso? O Tratado de Geriatria tem capítulo específico sobre adaptação e planejamento ambiental, bem como diversos artigos de Ergonomia e Design tratam sobre o assunto.
Ana Katharina Leite.
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