Ter um objetivo de vida reduz as chances de desenvolver Alzheimer

08/03/2010 por 2

Ter um objetivo na vida  está associado a um risco reduzido de  desenvolver a doença de Alzheimer (DA). Pois é, parece que os indivíduos que afirmam ter um propósito maior em suas vidas parecem menos propensos a desenvolver a DA ou de seu precursor, o transtorno cognitivo leve, de acordo com um relatório na edição de março da revista Archives of General Psychiatry.

“A DA é uma das consequências mais temidas do envelhecimento. A identificação de fatores modificáveis associados ao risco de doença de Alzheimer é uma prioridade de saúde pública para o início do século 21, sobretudo devido ao grande e crescente envelhecimento da população,” escreveram os autores do estudo. Poucos desses fatores de risco foram identificados, mas os dados sugerem que alguns fatores psicológicos, incluindo consciência, extroversão e “neuroticismo” podem estar associados com o risco da DA.

“Propósito de vida, a tendência psicológica para extrair significado de experiências de vida e de possuir um sentido de intencionalidade e direcionamento objetivo que orienta o comportamento, tem sido uma hipótese de proteção dos resultados adversos para a saúde”, escreveu Patricia A. Boyle, Ph.D., e colegas no Centro Médico da Universidade Rush, de Chicago. Os investigadores avaliaram esta qualidade em mais de 900 adultos em uma comunidade para a moradia idosos sem demência que estavam participando do Projeto Memória Rush e Envelhecimento.

Objetivo dos participantes na vida era medido pelo seu nível de concordância com afirmações como: “Eu me sinto bem quando penso no que fiz no passado e que espero fazer no futuro” e “eu tenho um senso de direção e propósito na vida.” Após uma média de quatro anos e um máximo de sete anos de acompanhamento anual, avaliações clínicas mostraram que, 155 dos 951 participantes (16,3 por cento) desenvolveram a doença de Alzheimer. Após o controle para outras variáveis relacionadas, maior objetivo na vida foi associado com um risco reduzido de desenvolver a doença de Alzheimer, bem como uma redução do risco de comprometimento cognitivo leve e uma taxa mais lenta de declínio cognitivo.

Mais especificamente, a pesquisa mostra que os indivíduos com uma pontuação de 4,2 de 5 (percentil 90) foram aproximadamente 2,4 vezes mais propensos a permanecer livre da doença de Alzheimer do que os indivíduos com uma pontuação de 3,0 (percentil 10).

A base biológica da associação é desconhecida, mas pode resultar em efeitos positivos da função imune e de saúde dos vasos sanguíneos, os autores sugerem.

O resultado pode ter implicações para a saúde pública. “Em particular, estes resultados podem fornecer um alvo novo de tratamento para as intervenções destinadas à melhoria da saúde e do bem-estar em adultos mais velhos. Propósito na vida é um fator potencialmente modificável que pode ser aumentado através de estratégias comportamentais específicas que ajudam idosos a identificar pessoalmente atividades significativas e a se engajarem em comportamentos direcionados a um objetivo. . “Mesmo pequenas modificações comportamentais em última análise, podem se traduzir em um aumento da sensação de intencionalidade, utilidade e relevância”.

Fonte: Alzheimer’s Reading Room

Ana Katharina Leite

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Sobre o autor

Terapeuta ocupacional graduada pela UFPE. CREFITO 10476. Especialista em Tecnologia Assistiva pela UNICAP. Mestre em Design e Ergonomia pela UFPE. Administradora e colunista do reabilitacaocognitiva.org.

2 comentários to “Ter um objetivo de vida reduz as chances de desenvolver Alzheimer”

  1. silvia c c disse:

    Estou aqui pela primeira vez sou Terapeuta ocupacional e trabalho
    com grupo de convivencia terapeutica e com Reabilitação cognitiva não tenho encontrado nada sobre reabilitaçao para anomia /afasia nominativa agradeço alguma informação i
    Silvia

  2. Sarah Lins disse:

    Parabens pelo site! Desde que o conheci me viciei, e acompanho diariamente. Já usei várias dicas postadas aqui nos atendimentos que tenho feito.

    Essa questão da DA é realmente muito importante. Manter-se ativo, manter a mente trabalhando, desenvolvendo, ou seja, se ocupar, faz com que a pessoa se torne alguém útil, proporciona independência e consequentemente, melhora sua qualidade de vida.

    Sarah Lins – acadêmica do último período de Terapia Ocupacional
    São Luís/MA

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