Reab - Reabilitação Cognitiva

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A avaliação cognitiva na prática dos Terapeutas Ocupacionais

O processo de avaliação é determinante para todo o processo terapêutico, independente da especialidade do terapeuta ocupacional. Tendo em vista os fundamentos teóricos da profissão, a avaliação deve ser embasada pelos documentos mais recentes que norteiam a prática clínica: A Terminologia Uniforme para a Terapia Ocupacional (1994) e a Estrutura da Prática da Terapia Ocupacional: Domínio e Processo (2008).

A partir dessa fundamentação, deve-se organizar o roteiro de avaliação para clientes com disfunção cognitiva. O perfil ocupacional consiste na primeira etapa da avaliação, nele serão pesquisados itens como: a identificação, a história da doença atual, a história ocupacional do cliente, seus hábitos e rotinas, os interesses do mesmo e sua queixa. A queixa deve remeter a um objetivo mensurável, funcional. Desta forma, o terapeuta ocupacional poderá traçar um programa de tratamento com metas, objetivos e estratégias que contemplem as dificuldades encontradas nas áreas de desempenho.

Para que a queixa fique clara para o terapeuta ele pode usar perguntas como: O que você fazia antes que não consegue mais fazer com a mesma qualidade? O que você não está fazendo e gostaria de voltar a fazer? No que seu problema de memória (função geralmente comprometida nos adultos com déficit cognitivo) interfere na sua vida?

Clientes com disfunção cognitiva geralmente chegam à avaliação com um encaminhamento médico, requerendo reabilitação cognitiva, muitas vezes também com avaliação neuropsicológica nas mãos ou resultado dos testes cognitivos realizados pelo médico especialista.

Sendo assim, as perguntas supracitadas sobre a queixa devem esclarecer para o terapeuta qual o impacto da disfunção cognitiva na performance ocupacional do sujeito. Isto porque as informações detalhadas do desempenho cognitivo podem vir detalhadas de outros profissionais.

Seguindo o modelo de avaliação up-down, o terapeuta ocupacional deve começar a aplicação de testes pelos instrumentos que vão quantificar e qualificar a capacidade funcional do examinado. Alguns instrumentos são: a Medida Canadense de Desempenho Ocupacional (COPM); a Medida de Independência Funcional (MIF); o Barthel (AVD); o Lawton (AIVD), o Katz (AIVD), ou qualquer outro instrumento que o terapeuta ocupacional esteja habilitado a usar. O que importa é ter um perfil da performance nas atividades cotidianas do cliente, desde as atividades de auto-cuidado até as de trabalho e lazer.

Após conhecer o perfil funcional do cliente, o terapeuta ocupacional pode fazer uma avaliação cognitiva usando instrumentos básicos, como a Mini-exame do Estado Mental (MEEM), o Teste do Relógio, o teste de Fluência Verbal , Lista de Palavras da bateria CERAD, Trilhas A e B e Teste de Cancelamento .

Estes são exemplos de avaliações usadas com frequência na prática clínica do terapeuta ocupacional, mas outras avaliações podem ser complementares e úteis para entender o desempenho cognitivo do cliente. Outras avaliações são: SKT, Wisconsin e FULD.

Com estas informações coletadas, o terapeuta ocupacional deve aprimorar a percepção do impacto da disfunção cognitiva observando o examinado desempenhar atividades, em especial as que ele sente dificuldade ou não está satisfeito.

Atualmente, estas avaliações de desempenho estão sendo realizadas, por algumas universidades, como a de Israel, usando realidade virtual e os resultados têm sido satisfatórios.

Vale acrescentar que sempre é necessária uma avaliação do ambiente, identificando facilitadores e barreiras ao desempenho do indivíduo. O ambiente deve ser seguro, agradável e prorporcionar independência e autonomia, cabendo ao terapeuta ocupacional modificá-lo ou participar junto com outros profissionais, como arquitetos, do planejamento dos espaços. Essa modificação ou planejamento está embasada no perfil ocupacional do cliente: sua rotina, atividades desenvolvidas e capacidades e limitações nas estruturas e funções do corpo.

A família e os cuidadores fazem parte da avaliação do contexto, afinal é com eles que o cliente passa maior parte do tempo, sendo então a chave para  o sucesso do processo terapêutico. O terapeuta deve ser perspicaz quanto a capacidade de aprendizagem do cuidador (hoje já existem avaliações para este fim) e o compromisso dele com o tratamento do cliente.

Existem disfunções cognitivas que incluem quadros comportamentais importantes. Nestas situações, o terapeuta ocupacional inclui o item comportamento na sua avaliação, especialmente o impacto deste no desempenho ocupacional do cliente.

A partir desses dados, o terapeuta ocupacional vai traçar junto com o cliente e a família (quando possível) um plano de tratamento, deixando claro quais os objetivos da intervenção e os resultados que espera-se que sejam alcançados.

Ana Katharina Leite.

Mais:

Confira as especilidades da Terapia Ocupacional.

Baixe a Estrutura da Prática da Terapia Ocupacional: Domínio e Processo (2008).

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